sábado, 21 de janeiro de 2017

Combate a Intolerância Religiosa.



21 DE JANEIRO - DIA NACIONAL DE COMBATE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
A cada dia temos notícias de atos de depredação, agressões, violências das mais diversas manifestações e nos chocamos como isso ainda acontece. O que nos lembra – a cada minuto – que nossa energia que transforma, nosso Axé, precisa estar forte sempre, como Mãe Gilda nos ensinava em seus gestos, palavras e atitudes, dentro e fora do Ilê.
Foi com essa base que nós continuamos seu legado e, hoje, o temos como marco de Lei (11.635) na luta contra a intolerância religiosa, celebrada a cada dia 21 de janeiro, mas vivida todos os dias. Teremos o Busto de Mãe Gilda no bairro onde esta luta ganhou força, há 14 anos, uma conquista de todos os Terreiros, de todo povo de Axé. Que a virada de Tempo nos leve a caminhos muito mais seguros e confiantes de que temos história e temos origem; temos berço e temos luz. Somos de Axé, somos de Candomblé.

Jacira Ribeiro – Yalorixá do Abassá de Ogum, herdeira do legado de Mãe Gilda.


Já são Dez Anos do Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa. Salve Mãe Gilda – Tobo Ginã, e todas as guerreiras que lutaram e lutam contra o racismo e a Intolerância Religiosa.
Ao celebrar a data, é fundamental compreender que a intolerância religiosa contra as religiões de matriz africana é uma expressão do racismo brasileiro. O Racismo se manifesta, na escola, no trabalho, nas organizações sociais, nos órgãos públicos e privados. Se manifesta através de gestos, palavras, expressões do cotidiano e comportamentos que buscam inferiorizar as pessoas negras, sua história, suas origens e suas expressões culturais e religiosas trazidas pelos africanos para o Brasil e para toda a diáspora. Portanto, combater a intolerância religiosa contra as religiões de matriz africana não pode ser dissociada de combater o racismo.
Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa, data que faz parte do calendário oficial brasileiro, foi instituída em 2007 pelo decreto federal 11.666 em referência ao dia do falecimento de Mãe Gilda de Ogum ocorrido em Salvador – Bahia, no 21 de janeiro de 2000.
A Sacerdotisa, que figurava como uma militante das causas sociais, faleceu em função de sua imagem ter sido maculada no jornal da Igreja Universal do Reino de Deus na Bahia e sua casa invadida por um grupo de evangélicos fundamentalistas que bateram em sua cabeça com a bíblia e a acusaram de charlatã. Na ocasião, a trise notícia do falecimento de Mãe Gilda, causou revolta e indignação por parte de todo o povo de candomblé, e sua filha a Yalorixá Jaciara Ribeiro, articulada aos movimentos sociais buscou transformar a dor da perda em força para uma luta coletiva em defesa do povo de candomblé, contra o racismo e a intolerância religiosa.
Assim, o engajamento coletivo e a luta por reparação a imagem maculada da sacerdotisa, transformou-se em símbolo nacional. Porém, as Celebrações do dia nacional de combate a intolerância religiosa, não significou trégua por parte dos fundamentalistas e racistas em relação as comunidades religiosas de matriz africana, o candomblé. A data, vem colaborando para encorajamento de muitos adeptos, sacerdotes e sacerdotisas de casas de candomblé, para que fiquem atentos e lutem pelo seu direito de cultuar suas divindades e manter viva suas tradições. Espalharam-se as caminhadas, debates e atos de protestos contra o racismo e a intolerância religiosa em diversas cidades brasileiras.
Infelizmente, o caso de mãe Gilda está longe de ser um caso isolado, tão pouco os alertas da data fizeram com que não houvessem outros casos de maior ou menor repercussão, porém todos muito significativos e violentos. Dos casos de intolerância religiosa que chegam a ouvidoria da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, em 2016 o número de denúncias de violência a religiões de matriz africana aumentou pouco mais de 60%. Não sabemos o desdobramento de tais denúncias, o fato é que é necessário permanecer lutando.


Um apelo ao diálogo inter-religioso para vencer a Intolerância do Cotidiano
Ao vestir a cor de seu orixá no dia votivo ao ¨santo¨, reafirma-se a identidade e respeito a divindade sagrada, seu orixá. Podendo se no azul, amarelo, vermelho, e tantas outras. Vestir o branco na sexta feira por exemplo tem sido bem comum, porém, essa forma de homenagear Oxalá (orixá ligado a criação e identificado como grande pai no candomblé) provoca reações diversas com chacotas e violência. 
As vítimas desse preconceito aparentemente a partir da estética afirmativa do candomblé, acontecem de várias formas e com pessoas de qualquer idade, porém são perversas a discriminação com as crianças que fazem pare do culto aos orixás. 
O turbante, a conta no pescoço, as palhas da costa amarradas nos braços (contra-egun), são pequenos símbolos sagrados de um fiel dedicado e respeitoso com sua fé e tradição, que já poderiam fazer parte da vida da sociedade e sem espantos, já que esses símbolos existem no Brasil a mais de quinhentos anos e fazem parte de um cotidiano religioso tal como o crucifixo e os rosários dos católicos. 

No Rio de Janeiro, junho de 2015 uma menina de 12 anos foi agredida com uma pedrada na cabeça, e no DF terreiros incendiados. Até quando?


Em Pernambuco, onde existem políticas públicas para o enfrentamento ao racismo e promoção da igualdade racial, através do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial e conselhos Municipais, secretarias, gerências e coordenadorias de políticas de promoção da igualdade racial em órgãos do estado e do município. 
E Apesar da existência de Grupos de Trabalho de combate ao racismo no Ministério Público Estadual e nas Polícias Civil e Militar. Não temos notícias dos desdobramentos e resolução das denúncias feitas por diversas casas e pessoas de comunidades de matriz africana agredidos ao longo dos últimos anos.
Onde se conclui que ainda a muito o que se avançar nas políticas públicas. E muito que se valorizar segmentos importantes como a Rede de Mulheres de Terreiros de Pernambuco, O Centro Cultural Malunguinho, A Caminhada dos Terreiros de Pernambuco, O Movimento Negro Unificado, a Rede de Mulheres Negras de Pernambuco e tantos outros lutadores e lutadoras. No âmbito nacional o Coletivo de Entidades Negras – CEN, o CENARAB, A Rede Nacional de Religiões Afro Brasileiras e Saúde - RENAFRO.


O Racismo
No Brasil, pais de dimensões continentais e de gritantes desigualdades raciais e sociais, ultimo pais a abolir a escravidão, o Racismo é considerado crime. Esse marco legal, só foi possível devido à grande articulação e mobilização do movimento social negro e suas parcerias com outras organizações da sociedade civil. A lei foi instituída em 1989, e lei ficou conhecida como lei Caó, em alusão ao deputado que a apresentou.
Além da lei Caó, outras ferramentas e marcos legais foram instituídos no Brasil, com o intuito de enfrentar as desigualdades produzidas pelo racismo, a exemplo da constituição de federal que, entre outras conquistas, reconhece as comunidades remanescentes de quilombos e o patrimônio cultural afro brasileiro.
Apesar das iniciativas legais, a de se reconhecer que os séculos de escravidão brasileira, e os regimes subsequentes de que promoveram a repressão e as desigualdades, produziu um país em que a pessoa negra é inferiorizada, marginalizada e criminalizada, assim como as tradições culturais de matriz trazida pelos povos africanos também as são. A concepção racista, presente e alicerçada na sociedade produz um sistema de violência e criminalização da população negra e de sua cultura, produz a necessidade de uma atuação constante, vigilante e sistemática de enfrentamento as várias manifestações do racismo.
A perspectiva de inferiorização, marginalização da população negra, e a consequente desigualdade é caracterizada como racismo e se traduz numa violência cotidiana, através da discriminação no trabalho, nos estabelecimentos de ensino, nas ruas na família. 
Desde sua criação no meio urbano, o movimento negro brasileiro, vem chamando atenção do estado brasileiro, acerca das várias formas de manifestação do racismo, tanto do ponto de vista simbólico, do racismo institucional, como na manifestação mais desafiadora, a violência física e letal que acomete a população negras. Tal forma de expressão do racismo, a violência física e letal tem chamado atenção da sociedade e produzido um conjunto de dados que leva a compreender em especial a difícil realidade vivida por jovens homens negros e pelas mulheres negras no Brasil.
Na capital pernambucana, a violência afeta de maneira mais intensa a população negra, com destaque para as mulheres e os jovens. Tal situação de violência e mortalidade está presente no território pernambucano. De acordo com o Mapa da Violência 2015 – Homicídios de Mulheres no Brasil, Pernambuco reduziu em 15,6% os assassinatos de mulheres entre 2003 e 2013, mas, em contrapartida, registrou aumento de 29,8% nos homicídios de mulheres negras no mesmo período. Já em relação aos jovens, o Mapa da Violência 2016 registra que, em Pernambuco, a taxa de homicídios por armas de fogo (HAF) é de 35,6 entre pessoas negras e de 9,1 entre pessoas brancas. 
O estado de Pernambuco, segundo dados do IBGE, tem uma população de aproximadamente 62% de negros, considerando a soma de pretos e pardos. Preocupa a vulnerabilidade a que se encontra tal população que segundo estudos do IVJ apresentado pelo professor Julio Jacob. O estado está entre os que a juventude negra tem maior risco de morrer por armas de fogo, fica em terceiro lugar, somando-se aos estados de Alagoas, o primeiro e Paraíba, o segundo. 
Compreende-se então a necessidade da instituição de políticas públicas de enfrentamento ao racismo e a violência racial. Uma atuação articulada entre as instituições do poder público, em especial o sistema de segurança, de polícia e de garantia de direitos. Na concretização da rede de enfrentamento ao racismo que promova um sistema de atenção e enfrentamento ao racismo.






Para saber mais e para denunciar:
Direitos Humanos - Disque 100
Emergência Policial - Disque 190
GT Racismo do Ministério Público de Pernambuco – (81) 3303.1249
Ouvidoria Social do Estado – 0800-081-4421
Sobre o aumento dos casos de intolerância religiosa http://www.sul21.com.br/jornal/quase-mil-casos-de-intolerancia-religiosa-foram-registrados-no-rio-em-dois-anos/
http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2016/10/17/interna_vidaurbana,670422/direito-de-ir-vir-e-seguir-suas-crencas-sem-desrespeito.shtml
Intolerância no Mundo http://www.acn.org.br/relatorioliberdadereligiosa
Sobre o Plano Setorial de Cultura Afro Brasileira http://www.palmares.gov.br/wp-content/uploads/2014/04/Caderno-de-Di%C3%A1logo-Plano-Setorial-para-a-Cultura-Afro-brasileira.pdf

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Águas de Oxalá



ÁGUAS DE OXALÁ

Há 38 anos o Babalorixá Raminho de Oxossi realiza a procissão das águas na cidade de Olinda/PE. Tradicionalmente ocorrida no segundo domingo de janeiro, a festa que iniciou com os filhos da casa do Babalorixá (Roça Gêge Oxossi Iboalama – Oxum Opará). Hoje tomou uma proporção gigantesca, assumindo papel fundamental na realização das prévias carnavalescas da cidade. É comum ouvimos a frase - quem conhece Olinda sabe que as prévias de carnaval só começam após as Águas de Oxalá.

O Babalorixá Raminho de Oxossi, 81 anos de vida, quase toda dedicada ao sacerdócio, afirma que se inspirou na festa da lavagem do Bonfim, na Bahia, para realizar as Águas de Oxalá em Recife. “Eu fui pra Bahia, vi as águas e quando cheguei aqui fiz uma aqui”. Ele conta que as Águas é um momento de muito respeito e religiosidade.

As comemorações para Oxalá iniciam com rituais no Candomblé, depois faz sua segunda etapa na frente da igreja do Senhor do Bonfim, em Olinda, onde são lavadas as escadarias e segue em cortejo para terminar com canto aos Orixás no Candomblé.

Devido a reformas na igreja, o ritual da lavagem em 2017 aconteceu na calçada da Igreja da Sé, seguido de louvações nas igrejas do Bom Fim e do Guadalupe.

Sylvio Botelho, um artista e bonequeiro de grande respeito no meio cultural, descreveu o sentimento na sua página do Facebook o sentimento de participar das Águas de Oxalá.

Ir às Águas de Oxalá não é só um sinal de fé e devoção, é a forma que o cidadão tem de apoiar e promover as bases de um estado livre de preconceitos e fundamentado na liberdade religiosa. A prática do respeito ao próximo pode ser alcançado por qualquer pessoa, de qualquer credo e região”. 

Para o artista, que também é um dos organizadores do evento, a procissão é uma forma da população de adeptos de candomblé enfrentar o preconceito, a intolerância e o racismo praticado contra as expressões culturais e religiosas de matriz africana no Brasil, e como tal, as Águas de Oxalá é um espaço de resistência.

Nos últimos anos, as Águas de Oxalá é noticiada nos meios de comunicação oficiais da cidade, onde a Prefeitura demonstra seu apoio a atividade como um marco na história e cultura olindense. Sempre é garantida a interdição de rua, além do apoio da Guarda Civil, para organizar o transito, iluminação de rua, etc. Porém, a continuidade da parceria com o poder público pode estar ameaçada já que Olinda não tem um calendário oficial cultural próprio, o que consideramos uma lacuna no tão bem discutido Plano Municipal de Cultura de Olinda.

A inexistência de um calendário que contemple as festas tradicionais da resistência negra na cidade, não está dissociada da problemática enfrenada por segmentos populares e afrodescendentes de outras cidades brasileiras. Tal realidade refere-se diretamente a falta de uma política pública para a cultura afrobrasileira, uma política estruturada como ação de estado que possa dar conta de reconhecimento histórico, cultural e que se traduza, sobretudo, em recursos financeiros do poder público para manutenção, estrutura e divulgação do calendário cultural afrobrasileiro e que garanta uma ação de salvaguarda dos bens culturais afrobrasileiros para além do carnaval.
Considerando a necessidade de políticas públicas estruturadoras para a área da cultura, a cidade de Olinda é signatária do Plano Nacional de Cultura, um norteador das políticas públicas de cultura para o país. Identificamos aí um desafio para a nova gestão cultural da cidade de Olinda: implementá-lo.
Ao criar o Plano Municipal, a cidade avançou rumo a uma política pública de cultura e buscou alinhar-se aos eixos e princípios do Plano Nacional, porém é necessário trabalhar áreas específicas para dar concretude e eficácia ao Plano.
No campo do patrimônio cultural afrobrasileiro, o Plano Setorial de Cultura Afro Brasileira, elaborado pelo Colegiado do Conselho Nacional de Políticas Culturais, é o documento que orienta as políticas para o segmento. Seu lançamento e adesão pelo município é fundamental para a manutenção de tradições culturais e de marcos históricos como as Águas de Oxalá, os Tambores Silenciosos, Noite do Cabelo Pixaim, Sambadas de Coco, de Maracatu e tantos outros movimentos de tradição cultural negra de Olinda.
 “Os olhos do Brasil e pessoas de várias partes do mundo se voltam para Olinda durante o Carnaval. É uma forma de entrar com o espírito renovado na festa que se avizinha”, Gilberto Sobral – Secretário Executivo de Cultura de Olinda, ao se referir as Águas de Oxalá.




NA TRADIÇÃO

As Águas de Oxalá é um ritual do povo de candomblé que faz uma homenagem à divindade africana Oxalá (Oxalufã), como uma reparação a injustiça sofrida por ele em uma visita a seu filho Xangô. Conta o Itã (história) que certa vez chegando Oxalufã a cidade de Oyó, encontrou perdido o cavalo que havia presenteado a Xangô, que tentou amansar o animal para devolvê-lo. Foi quando chegaram os soldados do Rei a procura do animal perdido. Vendo Oxalufã com o cavalo, pensaram tratar-se de um ladrão.

Maltratado e preso durante um tempo, Oxalufã resolveu usar seus poderes e vingar-se do povo de Oyó. Assim, o reino viveu sete anos de seca e suas mulheres se tornaram estéreis.

Xangô consultou o babalaô da corte e soube que um velho sofria injustiça e prisão, pagando por um crime que não havia cometido. Quando Xangô chegou na prisão, para sua surpresa o velho era Oxalufã.

Xangô ordenou que trouxessem água limpa do rio para banhar o velho e roupas limpas, ordenou que todos os súditos vestissem branco e permanecessem em silencio em homenagem a Oxalufã, carregou o velho nas costas e fez festas em homenagem ao Orixá.
E todos vestidos de branco saudaram Oxalufã.







E PORQUE LAVAR A IGREJA
Ao longo da história da população negra no Brasil, as expressões culturais e religiosas de matriz africana, sofreram repressão e perseguição por parte do Estado brasileiro, o que levou a uma atuação “clandestina” dos adeptos do culto aos Orixás e ao sincretismo religioso. Também foram promovidos diálogos e movimentos de resistência peça população negra, bem como de proteção aos cultos afros, por meio de irmandades religiosas católicas e festas como a lavagem das escadarias da igreja do Senhor do Bonfim, santo católico que foi sincretizado com Oxalá devido a sua relação como protetor do mundo, semelhante a Oxalá – Orixá da criação.

Com as Águas de Oxalá e o conjunto de significados em torno da festa em Olinda, fica fácil entender quando o Babalorixá Raminho de Oxossi fala quee Somos Mais que uma religião.
Axé.




Sobre o plano municipal de cultura de Olinda http://www.olinda.pe.gov.br/pmc/eixos-tematicos/


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

ENTENDA A NOITE DO CABELO PIXAIM

Carapinha, Afro, Cacheado, Crespo. Eu prefiro dizer Pixaim mesmo, 




Criada na década de noventa em Olinda - PE, a Noite do Cabelo Pixaim reverencia o cabelo do negro, o relaciona a identidade, a afirmação da cultura e a valorização de uma estética e beleza próprias da população negra.

Na década de noventa, em Pernambuco, uma juventude negra antenada e consciente do seu papel no combate ao racismo, fez dos palcos dos ensaios e festas do Afoxé Alafin Oyó seu lugar de militância social e política, criando festas como a Noite do Cabelo Pixaim, a Noite do Cafuné, entre outras.



Essa militância promoveu um intenso debate sobre as várias manifestações do racismo, se utilizando da criatividade das expressões culturais negras como forma de expandir suas mensagens e seus discursos. Com a Noite do cabelo Pixaim, trouxe à cena um elemento fundamental na luta pela afirmação da estética e beleza negra: o cabelo crespo.
Falar sobre e mostrar o cabelo crespo é decisivo para o debate, já que esse é o principal alvo da discriminação e do preconceito. E isso se torna ainda mais perverso para crianças e mulheres, que são oprimidas pela ditadura do cabelo liso e da estética branca, o que prejudica a vida social e familiar.

Atualmente, e a partir de uma maior presença negra nas universidades e entre os pesquisadores, os estudos sobre cabelo e estética negras nos ajuda a entender um pouco desse complexo universo de exclusão e inferiorização da população negra, por meio da negação do corpo negro, em especial do cabelo.   Por outro lado, também torna possível acompanhar a exaltação ao universo da criatividade e resistência negra identitária, por meio de penteados afro, cortes específicos, salões e movimentos afirmativos, que compreendem o cabelo numa perspectiva de identidade.

Em torno da manipulação do corpo
e do cabelo do negro,
existe uma vasta história.
Uma história ancestral e uma memória.
(Dra. Nilma Lino Gomes – Professora e Pesquisadora - UFMG)


Noite do Cabelo Pixaim

Como parte de um movimento que teve início na década 90 amanhã, sábado, 26 de Novembro, o Clube Atlântico de Olinda, recebe a edição anual da Noite do Cabelo Pixaim. Esse é mais um momento de exaltação à estética, beleza e cultura negra. É mais um dia de resistência. Prepare-se, não esconda seu cabelo, solte sua “juba”, explore a criatividade dos cortes, trançados e penteados afro e vá!!!
Já chegue cantando uma das músicas do cardápio do Afoxé Alafin e reafirme sua identidade!
A festa é regada a muita música percussiva, culinária afro, arte e moda, onde também acontece o 10º Festival de Música do Alafin, que vai escolher a música do Carnaval 2017. Na programação - Afoxé Alafin Oyó, Filhos de Dona Maria do DF, Lamento Negro, NK Cumbia, culinária afro, desfile de roupas e cabelos.


Raça Negra, uma questão de identidade,
Cabelo Pixaim, cor da pele preta,
Meu amigo não tenha dúvida,
Você é da raça negra.
Raça negra, uma questão de Identidade



Afoxé Alafin Oyó

Ávidos por uma atuação independente, por debater temas, fazer formação política e denunciar as várias formas de expressão do racismo brasileiro, um grupo de jovens militantes do movimento negro pernambucano, que compunham a Ala de Xangô do Afoxé Ará Odé, grupo também de cidade de Olinda, criou o seu próprio afoxé: o Afafin Oyó.
A manifestação cultural é, em primeiro lugar, uma agremiação carnavalesca, que atua em cortejo, levando a frente seu estandarte e carregando seus símbolos. Tem sua versão para o palco, apresentando-se como uma atração artística de música e de dança, bem como para as atividades ligadas a religiosidade, vivendo um constante desafio para não perder suas características e tradições culturais.
O ritmo do Ijexá, tocado nas casas de Candomblé, guardam suas semelhanças e identidades dos terreiros, com instrumentos como atabaque (Rum, Rumpi e o Lé), o agogô, o tantam e o agbê como base fundamental da sonoridade Nagô Yorubá.
Os cânticos fazem referência aos orikis (histórias) dos Orixás (divindades das tradições afro religiosa), a suas cores e arquétipos e a estética exalta as nações de Candomblé, as quais estão vinculadas a afirmação de uma identidade negra característica do seu território físico e sagrado, e do contexto em que o afoxé surge.

Tradicionalmente, cada afoxé teu seu Orixá como patrono, que estão representados em suas cores, adereços e vestimentas. O exemplo primeiro, pelo menos até onde se sabe, é o Afoxé Filhos de Gadhi da Bahia, que embora não carregue no seu nome do Orixá patrono, o faz nas cores e nas músicas, em referência e homenagem explicita a Oxalá. Sem medo da repressão, do preconceito e da intolerância, vestem branco, soltam pombos e reafirma a cor da divindade funfum.

Em Pernambuco, e pode ser assim no conjunto dos afoxés existente em outros estados brasileiros, os grupos seguem a tradição refletida primeiramente no nome. O Afoxé Ará Odé, o mais antigo em atividade no estado, tem o Orixá Oxossi (ou Odé) como patrono, veste-se as cores azul claro e branco. O Afoxé Oxum Pandá – tem Oxum como patronesse, usam o amarelo.  O Alafin Oyó – que tem o Orixá Xangô como patrono, veste vermelho e branco.

Os demais afoxés, mais de vinte grupos em Pernambuco, seguem essa tradição que nos ajuda a identificar o patrono do afoxé pela cor. Vermelho – Xangô, Azul – Ogum, Rosa ou Marrom – Oyá, e as homenagens seguem, regra geral, refletida nas cores e símbolos de seus orixás patronos.


CABELO

O legado da luta do movimento negro brasileiro, toda a sua movimentação, estudos e protestos em torno do cabelo como identidade fez surgir, não só a noite do Cabelo Pixaim, mas um conjunto de outras festas, atos, debates, empreendimentos comerciais e movimentos que exaltam e também discutem a afirmação da identidade negra por meio do cabelo. Um exemplo é Movimento Cabelaço em Pernambuco e da Marcha do Empoderamento Crespo na Bahia, entre outros.

Fez também surgir uma movimentação que pode ser identificada como a moda ou tendência do cabelo crespo, afro ou black. O certo é que, moda ou não, essa explosão de cabelos negros que encontramos hoje pelas ruas é sim uma forma de rebeldia e afirmação de identidade negra para enfrentar o racismo presente no cotidiano, se mostrar insurgente e empreender uma marca positiva.

É pura ousadia, numa sociedade racista que atribui e aplica estereótipos negativos ao cabelo pixaim, o adjetivando como “ruim”, “duro”, “bombril”.
Nós os negros sabemos o quanto um jovem, uma jovem que assumem seu cabelo “ao natural”, se sente forte, reconhecido, e por meio do cabelo, promovem um exercício cotidiano e corpóreo de cidadania.

O Cabelo é um dos elementos mais visíveis e destacados do corpo. Em todo grupo étnico ele é tratado e manipulado, todavia a sua simbologia difere de cultura para a cultura. Esse caráter universal e particular do cabelo atesta a sua importância como símbolo indenitário. (Procure ler - Dra. Nilma Lino Gomes – Professora e Pesquisadora da UFMG)

PARA DISCUTIR O TEMA RECOMENDA-SE:
Exposição – Cabelo, uma questão de identidade


Site – Geledés, instituto da mulher negra

Professora Doutora Nilma Lino Gomes – UFMG
 




quinta-feira, 17 de novembro de 2016

20 de Novembro, Dia Nacional da Consciência Negra



Valeu Zumbi!
o grito forte dos palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a abolição
(Kizomba, a festa da raça[1]).



    Monumento a Zumbi no Recife


CELEBRAÇÃO A PALMARES

As comemorações do novembro da consciência negra têm um papel fundamental para promover a compreensão sobre a necessidade de justiça social e a radicalidade na luta contra o racismo. Já que o Dia da Consciência Negra faz referência ao maior quilombo das Américas – o Quilombo dos Palmares, uma experiência de combate ao racismo, num modelo de organização social justa que durou aproximadamente cem anos.

Quando o Movimento Negro Brasileiro instituiu o 20 de novembro como Dia da Consciência Negra, na década de setenta do século passado, promoveu uma grande contribuição para a História do Brasil. Isso fez com que as comemorações iniciadas pelo Grupo Cultural Palmares, no Rio Grande do Sul, ganhassem projeção nacional.

Tal contribuição se configura uma contraposição à historiografia oficial, branca, eurocêntrica, que produzia (e ainda produz) heróis e heroínas brancos, como se a imensa população de negros e negras no Brasil tivesse esperado de forma passiva ao fim da escravização. Foi o movimento social, assim como em outros momentos da história, quem com suas atitudes ousadas, produziu o reconhecimento da história dos negros e negras brasileiros, transformando Zumbi, Ganga Zumba, Dandara, Akotirene, Aqualtune e suas comunidades em protagonistas de sua própria história.

Atualmente, o Dia Nacional da Consciência Negra, é comemorado em todo o território nacional e em mais de mil cidades brasileiras é também feriado. Esse reconhecimento histórico, traduzido nos calendários oficiais de diversos municípios, impulsionou a inclusão da data no calendário oficial brasileiro, com a publicação do decreto lei 12.519/11, da presidenta democraticamente eleita Dilma Rousseff, instituindo o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Transformando Zumbi em Herói Nacional.



Aqui, você pode conferir a lista de cidades brasileiras que de norte a sul do país celebram o 20 de Novembro. Intriga não encontrarmos nenhuma cidade pernambucana na lista. http://www.palmares.gov.br/wp-content/uploads/2013/11/Estados-e-Munic%C3%ADpios-que-Decretaram-Feriado-no-Dia-20-de-Novembro-dia-da-Consci%C3%AAncia-Negra1.pdf 


Porque o Dia Nacional da Consciência Negra não é feriado em Pernambuco?

Há de se refletir os motivos pelos quais as propostas de feriado nunca foram levadas a sério em Pernambuco. O que estaria por traz dessa resistência ao feriado histórico para a população negra, o que pensa a classe política sobre esse assunto?

O Estado de Pernambuco não dar a devida atenção à data, esconde fatos históricos importantes, além privar a população da cidade de um conhecimento importante e necessário. Entre eles, o papel da então capitania de Pernambuco na destruição de Palmares, seu protagonismo nas emboscadas contra o Quilombo, além do fato da cabeça de Zumbi ter sido exposta aqui no centro da cidade, mais precisamente na praça do Carmo. Seria vergonha em admitir o papel do Estado nesse massacre do povo negro ou mera omissão histórica?

A despeito do fato de o Estado de Pernambuco ainda não reconhecer como feriado o 20 de Novembro, as comemorações são muitas, tanto oficialmente, nos últimos anos tem mantido o compromisso em celebrar o dia, a semana ou até o Mês da Consciência Negra, quanto pela sociedade civil organizada.

Todavia, há de se considerar que tais comemorações, que são sim fundamentais, não podem ser resumidas em festas de rua, bailes, nem a exaltação da beleza e estética negras, ou a criatividade nos turbantes e adereços característicos das tradições de matriz africana.

Mas é preciso ir além.

O 20 de Novembro é momento tanto para o reconhecimento de que só foi possível a existência de uma legislação que declara o fim da escravidão no Brasil devido à luta política e organizada dos negros escravizados, através dos quilombos, como é preciso garantir um sentido de protesto contra as várias manifestações do racismo brasileiro, no campo do simbólico e no campo institucional.

O compromisso impulsionado na celebração do Dia da Consciência Negra é de celebrar as conquistas da população negra, com a instituição de políticas de ações afirmativas, a criação do Estatuto da Igualdade Racial, de celebrar a cultura e o reconhecimento dos territórios quilombolas.


Não podemos abrir a guarda!

A sociedade civil organizada, a população negra, os ativistas, devem aproveitar o 20 de Novembro como espaço para denunciar a pouca eficácia das políticas públicas, no tocante da desigualdade no mercado de trabalho, as políticas de segurança, que seguem coniventes com as mortes por armas de fogo da juventude negra, a violência e o preconceito contra mulheres negras, o preconceito e intolerância às tradições religiosas de matriz africana, a invisibilidade dos negros nos meios de comunicação de massa, na arte, nas propagandas institucionais.

Do outro lado, está a responsabilidade do poder público em celebrar a consciência negra como prevê a Lei 12.519\2011. Para o Estado brasileiro, celebrar a consciência negra deve ser buscar enfrentar o racismo institucional, além de realizar atividades apenas relacionadas ao calendário escolar, que conta quase que exclusivamente com o emprenho dos professores. A oficialidade deve prestar contas à sociedade a respeito do trabalho que vem desenvolvendo ao longo do ano, para reparar os danos causados por séculos de escravização, seguida pela permanente discriminação racial contra a população negra.

Confiraaqui e abaxo a agenda das celebrações pelo Dia da Consciência Negra, elaboradas pelo governo do estado e movimento  social.

O momento ainda pede questionamento e diálogo!

É preciso aproveitar a semana da Consciência Negra para o questionamento e o diálogo sobre o compromisso do poder público com a instituição de políticas públicas de ações afirmativas, dar publicidade a seus avanços na saúde, na educação, no enfrentamento a violência. É buscar a inclusão dos negros e negras no mercado de trabalho, e enfrentar para reduzir o extermínio da juventude negra, enfim que o poder público preste contas de sua tarefa em fazer cumprir o Estatuto da Igualdade Racial (lei 12.288/2010).



Um pouco da história do Quilombo dos Palmares
  
O Dia nacional da Consciência Negra - 20 de novembro, é celebrado em alusão ao dia em que se registra um dos ataques ao então Quilombo dos Palmares, ou República de Palmares, nos idos do século XVII, que terminou com a morte do seu líder maior, Zumbi.

O Território do Quilombo pertencia a capitania de Pernambuco, numa enorme faixa de terras que possibilitava a existência de um conjunto de comunidades, A Serra da Barriga que conhecemos hoje, pertence ao estado de Alagoas na cidade de União dos Palmares, ali se localizava a capital política de Palmares. 

O território de Palmares era formado por uma dezena de comunidades quilombolas que articuladas entre si, formavam uma sociedade a parte do Brasil, uma alternativa para a população negra e aliados com estruturada social e econômica, independente da coroa portuguesa. Essa estrutura social e política fez com que estudiosos considerassem o território, uma república negra.

A prática de estruturação de quilombos, espalhados por todo o território nacional, foram do ponto de vista de organização e de continuidade histórica a maior expressão de resistência à escravidão no Brasil. O historiador Clovis Moura descreve os quilombos brasileiros como lugar de resistência ao escravismo.

O Quilombo caracteriza-se basicamente pela sua conotação radical, como expressão da radicalidade diante do escravismo. Esta radicalidade vem da própria essência da sociedade escravista. Nela não pode existir posição de negação a não ser se ela for radical.... ”(Clovis Moura – história do negro no Brasil²).


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[1] Enredo da Escola de Samba Vila Isabel. Rio de Janeiro, 1988).
² Texto Formas de resistência do negro escravizado e afro-descendente de Clovis Moura em História do negro no Brasil.

Mas, como diria Mãe Bethe de Oxum, a gente também se reconhece na festa!


Dia 20 de Novembro Olinda e Recife
III Festival Coco de Roda Zumbi Olinda no Bairro de Guadalupe, a partir das 16h.

Obá Nijé e Mmamão de Xambá no Alto Santa Terezinha a partir das 14h

Emoriô – Festa para se Ver Artes
Museu de Artes Afro-Brasil Rolando Toro – Bairro do Recife

Lamento Negro
Caminhada da Consciência Negra – Saindo do Mercado do Varadouro em Olinda 16h

Cultura na Linha
Por Traz da Fábrica de café – Linha do Tiro – Recife a partir das 14h





sábado, 12 de novembro de 2016

POLÍTICA, ARTE E CULTURA NEGRA

Dentre as diversas debates e lutas históricas do movimento negro brasileiro, me chama atenção, as preocupações sobre o fato do racismo se expressar na cultura e como se traduz nas políticas culturais.



Maracatu do Baque Solto/ Acervo da Fundação Cultural Palmares  - MinC

Os vários diálogos empreendidos pelos movimentos culturais do país, os encontros, conferências e fóruns trouxeram para a cena política e para o debate de políticas públicas de cultura, as preocupações de Artistas e produtoras (es) negras (os) de teatro e dança que denunciam a flagrante discriminação de artistas negras (os) nos espetáculos de dança, teatro, programas de televisão e cinema, onde a imagem de mulheres e homens negros é, em geral, apresentada de forma negativa, estereotipada e sexualizada. Grupos e companhias de teatro e dança brasileiros como o Bando de Teatro Olodum (Bahia), Cia dos Comuns (Rio de Janeiro), Ifa Haradá de Arte Negra (Olinda), Balé Afro Bacnaré, Majê Molê e Daruê Malungo, ambos de Recife. Tiveram papel fundamental na denúncia.
Um dos personagens marcantes desse debate é Hilton Cobra, Ator Diretor e ex presidentes da Fundação Cultural Palmares. Que protagonizou a realização do I, II, II e IV Fóruns Nacionais de Performance Negra. Durante os fóruns, artistas e produtores negros refletiram:


  • Que os espetáculos de teatro e dança negros não tem espaço nas pautas dos chamados espaços de excelência como casas de espetáculos e teatros de grande referência, sobretudo nos centros urbanos de capitais;
  • A produção de cinema, televisão ou novelas, exceto nas chamadas produção “de época”, nos últimos anos não tem presença de negros como protagonistas e seus elencos não chegam a 10% de atores e atrizes negras, mesmo contando com as chamadas pontas ou figurantes. encontramos raras exceções;
  • No campo da cultura e de seus matizes, comunidades tradicionais de matriz africana, quilombolas, indígenas, ciganos, entre outros, não figuram como protagonistas, participes ou alvos de políticas públicas ou ações do sistema público ou privado de cultura. Segmentos tradicionais são praticamente invisíveis nos meios de comunicação, nos projetos de financiamento ou fomento a cultura. Esta invisibilidade configura um prejuízo para a produção do conhecimento sobre a cultura brasileira, para a inclusão sócio econômica de populações historicamente discriminadas, em especial a população negra e reforça a construção de imagens negativas atribuídas a essa população, fazendo do racismo institucional um mote pelo qual as políticas públicas na área de cultura são pensadas.

Conclui-se que é preciso seguir firmes na lua para que hajam políticas públicas de cultura comprometidas com a desconstrução do racismo. Para que os gestores de cultura não se omitam diante das necessidades de ações afirmativas para a arte e a cultura negra, esperamos que a cultura faça sua parte no enfrentamento ao racismo.

O debate empreendido por artistas e produtores negros gerou em 2013 os editais afirmativos do Ministério da Cultura - MINC  numa parceria Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República - SEPPIR e Biblioteca Nacional, Secretaria de Áudio Visual do MINC e FUNARTE.
  Hilton Cobra, ator e diretor/ Acervo 

No primeiro momento da divulgação dos editais, houve pouca participação nas inscrições. O MINC em parceria com a SEPPIR observou que a pouca adesão se deram por dois motivos principalmente. A comunidade artística e produtores negros já não confiavam mais na política de editais, e pelo fato da forma de divulgar não ser suficiente para atingir o segmento. Assim a tomou-se a iniciativa de intensificar a divulgação, alargar os prazos de inscrições e realizar oficinas regionais sobre editais. O resultado foi mais de oito mil inscrições de projetos de artistas e produtores negros. O que nos leva a crer que existe uma grande demanda na área.

Lindivaldo Junior Afro